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HISTÓRIA

A história é feita de muitos enredos e memórias

A história é feita de muitos enredos e memórias. De muitos discursos, de grandiosas muralhas e também de pequenos gestos. Além do pergaminho que recorda os feitos dos poderosos, aos oprimidos, sem escrita, resta o efémero de um gesto ou acorde musical, resta o artefacto humilde de todos os dias, a panela escura que esbeiçou de cansaço ou o candil onde o azeite secou.

Um quilómetro de muralha, sete hectares intra-muros, dois mil habitantes e um porto fluvial em contacto com o mar, fizeram da antiga cidade de Mértola uma pequena capital regional e um destacado entreposto que soube aproveitar o Guadiana como fonte de sustento e porta de acesso a todas as rotas do comércio mediterrâneo. Da cidade romana e islâmica, além do seu próprio traçado urbano restam alguns poucos vestígios monumentais e, sobretudo, as pequenas marcas da vida de todos os dias, as memórias de muitos saberes. São estes sinais, estes artefactos, recolhidos em campanhas arqueológicas e rigorosamente catalogados, que hoje são o sedimento da nossa identidade, o motivo insofismável do nosso próprio desenvolvimento.

Cláudio Torres e Santiago Macias

Quando em finais dos anos setenta do século passado foi iniciado o projecto que hoje chamamos Mértola Vila Museu, os seus objectivos não eram muito diferentes daquilo que agora, felizmente, é já um lugar-comum: envolvimento da população, numa tentativa de consolidar a sua identidade e contribuir para o desenvolvimento local. A grande opção de fundo do nosso projecto integrado foi também a aposta sobretudo na divulgação local que passa necessariamente pela musealização.

Além da divulgação científica, codificada na sua linguagem própria e dirigida a um público especializado, falar claro e acessível é a única forma convincente de justificar localmente os trabalhos em curso, capaz de identificar as mais fortes referências culturais e, por conseguinte, consolidar potenciais endógenos. Na dinâmica museográfica não só se difundem os resultados de uma forma mais eficiente pelo público em geral, sobretudo o local, como se torna possível atrair outro tipo de visitantes, desde que esta oferta seja devidamente divulgada. Assim Mértola foi-se tornando um conhecido destino de turismo cultural.

Estes visitantes procuram não tanto exotismo ou espaços monumentais, e sim um projecto dinâmico e ambicioso que, numa zona isolada e longe dos grandes centros, conseguiu envolver a população local, construindo propostas científicas e museológicas de grande qualidade.

Cláudio Torres

 
 
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